E-mail do Léo #23
Sobre gente invejosa, networking e jogos de azar.
Dados comprovam que tem menos gente abrindo meus e-mails.
Não os culpo.
Quem tem tempo para e-mail bobo?
Vi dois filmes recentemente que, de alguma maneira, tocam no mesmo tema, a inveja, a frustração de ver outra pessoa vivendo a vida que deveria ser sua (segundo as vozes da sua cabeça).
(Foto: Divulgação)
O primeiro é “Blue Moon”, baseado na história real do compositor norte-americano Lorenz Hart, que foi parceiro de Richard Rodgers até este passar a trabalhar com Oscar Hammerstein II. A dupla Rodgers & Hammerstein, como se convencionou chamar, se tornou um marco do teatro musical. São deles as músicas de “A Noviça Rebelde”, por exemplo.
Mas o filme se passa na noite de estreia de “Oklahoma!”, o primeiro musical deles, que virou um marco na Broadway. Rodgers compôs com Hammerstein por causa da instabilidade de Hart, que era alcoolista. Era para Hart ter feito o trabalho, mas não fez. Como não poderia deixar de ser, Lorenz Hart, interpretado lindamente por Ethan Hawke, está visivelmente incomodado com o sucesso do qual não faz parte. Para dizer o mínimo.
(Foto: Divulgação)
O segundo filme é “Jay Kelly”, que acompanha um ator de sucesso, vivido por George Clooney, refletindo sobre suas escolhas ao longo da vida e da carreira. Em dado momento, ele é confrontado por um amigo do passado, há décadas rancoroso. Isso porque a carreira de Jay Kelly decolou depois que ele acompanhou esse amigo no teste para um filme, pediu para fazer o teste também e ficou com o papel. Enquanto ele se tornou um astro, o amigo teve que seguir outro rumo.
Inveja é um sentimento que me incomoda muito, desde criança. Anos de terapia me fizeram entender que ninguém está imune a ele. Ou que ninguém é uma pessoa ruim simplesmente por ter sentido inveja. O problema é o que você faz com isso. Como você trabalha a inveja dentro de você. Para alguns, pode virar um amargor. Para outros, uma inspiração.
Entendo os dois personagens invejosos. Como não se sentirem traídos pela vida, nessas duas situações? Mas você pode nutrir este sentimento por alguns segundos, por uma noite inteira, ou por uma vida inteira. Esta é a questão. Eu ainda não suporto invejosos.
Networking
O happy hour é tão importante quanto um bom trabalho.
Tem que criar laços sem parecer interesse. Laços verdadeiros. Tem que ir a eventos. Tem que circular nos eventos. Tem que buscar pontos de afinidade genuínos. Tem que ser interessante. Tem que demonstrar interesse. Mas não parecer interesseiro. Isso, de forma nenhuma. Tem que pedir emprego sem parecer que está pedindo emprego. Tem que se colocar à disposição, mas sem parecer que está desesperado. Tem que mostrar que sua colaboração é vantajosa, mas sem parecer que conduziu toda a conversa para este ponto. Tem que sorrir. Tem que curtir story. Tem que mandar mensagem. Tem que cumprimentar, jogar conversa fora. Conversa fora estrategicamente. Tem que se apresentar. Tem que se fazer lembrar. Não pode incomodar. Nem pensar em incomodar! Panelinha é bom, mas é ruim ficar preso a uma. Tem que sorrir. Sim, eu sei que já escrevi isso. Mas é sempre bom lembrar.
Por que isso não é uma disciplina no colégio? No mínimo, na faculdade.
Se conselho fosse bom, não se dava, se vendia, mas…
Eu dou: Está rolando uma peça teatral muito legal aqui no Rio, chamada “Raspadinhas”, com texto e atuação de Alain Catein e direção de Daniel Dias da Silva. Lembra da raspadinha? Eu adorava quando era criança (bizarro)! O espetáculo trata de vários jogos de azar com muito humor e movimentação cênica criativa.
O tema dos jogos é importante neste mundo de gente ficando bilionária abrindo casa de apostas enquanto outras pessoas se viciam e se arruínam. “Raspadinhas” está em cartaz no Espaço Abu, um local intimista em Copacabana.
(Foto: Divulgação)
Aproveitando o tema dos jogos, indico também o mais recente episódio do podcast “Calma Urgente”. Traz reflexões valiosas sobre o tópico:
Mas, sim, vou apostar na Mega da Virada.
Minha avó uma vez disse que alegria de pobre é sonhar que vai ficar rico.
Volto na semana de Natal, com um e-mail para você ler enquanto foge daquele tio assediador, daquela prima conservadora, daquela tia invasiva e daquele primo que está bem melhor de vida que você (olha a inveja aí hein).
Até lá,
Leonardo Torres






Eu sigo lendo e adorando os e-mails!
Esse papo de inveja sempre me pega, exatamente em como transformar o sentimento. A gnt é exposto a comparações o tempo todo. Se não é a terapia pra ajudar a entender essa comparação, seria muito fácil a gnt se perder no sentimento.
E, Léo.. eu tbm acho que networking deveria ser uma disciplina na escola!
Obrigada por escrever e obrigada pelas dicas 🤍✨
eu continuo abrindo todos os seus e-mails, nunca deixei de ler nenhum